Fórum discute participação indígena em esportes de alto rendimento

Maíra Heinen – Repórter do Radiojornalismo/EBC Edição: Stênio Ribeiro

A participação de atletas indígenas em grandes competições profissionais norteou os debates desta quinta-feira (9) do 1º Fórum de Políticas Públicas de Esporte e Lazer para Povos Indígenas, em Cuiabá. Os grupos de trabalho se reuniram para conversar sobre formação, treinamento e participação de atletas indígenas em modalidades de alto rendimento.

No encontro, três sugestões foram apresentadas pelo assessor técnico do Ministério do Esporte José Roberto Gnecco para que os indígenas interessados sejam cada vez mais inseridos nos esportes: a captação de recursos, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; a criação, a partir de iniciativas indígenas, de federações esportivas nos estados onde ainda não existam, e a criação da Confederação Brasileira de Desportos Indígenas, que poderia organizar jogos nacionais e aumentar a participação dos índios nos esportes olímpicos.

Para o assessor, os indígenas só precisam de mais orientação para ocupar melhor esses espaços. “Temos material humano muito bom para o esporte de alto rendimento, que precisa ser orientado de forma que possa participar em pé de igualdade, ou melhor ainda, do que os atuais participantes não índios”, acrescentou.

Na modalidade tiro com arco, o Brasil já tem seu representante indígena na seleção: Dream Braga, do povo Kambeba do Amazonas. O presidente da Confederação Brasileira de Tiro com Arco, Vicente Fernando Blumenschein, acredita que em 2024 a seleção brasileira será praticamente toda formada por atletas indígenas. Para ele, esse esporte está no sangue das populações indígenas, que têm muito a ensinar aos não índios.

“Quando começou isso tudo, a família dele [Dream Braga] falou: ‘Não vá com a ideia de vingança do povo indígena pelo que o branco já fez conosco. Vá para ser um campeão’”, contou Blumenschein.

O atleta Dream Braga também deu depoimentos sobre alto rendimento. Ele ressaltou que segue bem os conselhos do povo Kambeba e não pensa em ganhar, mas em representar as populações indígenas do país. “Eu penso no meu povo. Eu estou lá porque me deram muito apoio, e eu estou lá pra representar os povos indígenas e o povo Kambeba.”

Nesta sexta-feira (10), a pauta do fórum – que vai até sábado (11) – mescla esporte, lazer, saúde e educação.

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Fórum de esporte e lazer indígena
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